em finais de ano estou sempre muito só
é hora dos balanços inadiáveis
encontro marcado
que obriga à reflexão
inflexão
não se trata nesse momento
de quem sou ou para onde vou
mas sempre do que fiz
e o que ainda posso querer fazer
com quem estive
com quem não pude estar
e com quem nunca mais estarei
agora sou indivíduo
me vejo como sou de fato
um ser humano
um átomo
um só
pó
penso nos filhos, amigos, amantes, amados
choro como órfão
creio como cristão
me arrependo como só eu poderia
mas é sempre muito rápido
rapidamente chega outro dia
outro ano
outra década
século seguinte
e eu já estou fazendo as mesmas coisas
com as mesmas ilusões
as mesmas carências
e assim vou célere
até a próxima crise
no fim do próximo ano