a noite brusca se dissolveu rompeu meu raciocínio lento acabou minha coragem quando a luz clara e desbotada esgueirando-se pela pilastra do edifício da frente entrou pela janela
calei a vitrola joguei o meu corpo na cama escutei o que tinha a dizer minha tristeza que, há uma hora se escondia nas sombras
frente à luz que insistia em aumentar botei uma cortina na janela a cabeça atrás do travesseiro e pensei que pudesse sonhar
mas agora com essa luz que penetra através dos panos e aponta todos os papéis
preferiria que o dia fosse noite e que o escuro que me permitia viver continuasse a gerar luz