O Papel e o Violão

às vezes encaro o papel
como quem quer pegar um instrumento
com aquela vontade
de chorar quietinho
de rasgar o coração
de assobiar
de solar
cantar as velhas canções
que dizem tudo e mais alguma coisa
daquilo que vai
e que me machuca dentro

mas não sei tocar
só sei ouvir e sentir
ai de mim

mesmo assim, pego a caneta
salpico o papel
e ao invés de um belo poema
feito para a minha alma
faço um poema viciado
que de mim saiu
e só a mim retornará sem outro caminho possível
a não ser a lata de lixo