Às Sextas

uma vez por semana
penso que tudo posso
quero o que não sou
vibro em outro diapasão
dou asas ao meu coração

imagino tudo o que quero
vivo todas as sensações
escrevo poemas
percorro o mundo
escalo montanhas
percorro trilhas
vivencio quase tudo o que sempre imagino

não raro nesses dias
me vejo caminhando a seu lado
sinto seu gosto no café da manhã
sua sombra a me acompanhar
tenho sua boca em minha boca
e a sua mão a me afagar

no resto
dos dias
não quero

neles
o sol é uma bola de fogo distante
as músicas
uma sequência de notas sem significado
as poesias de Neruda
simples rabiscos no papel
e o seu amor
um sonho infantil
que não tenho como alcançar